terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Então mergulhei no Pará

Sobra bom humor, sobram gentilezas, falta indignação. Sobra gratidão, faltam cobranças.  Por onde começar, fico a me indagar, sem generalizar, apenas compartilhar uma experiência pessoal e, se possível, resgatar um amor,  sem mágoa e dor, o amor por um país com dimensões incomparáveis. Um país desacreditado, que pecado, que precisa urgente de atitudes, necessita ser mudado, necessita ser amado. Necessita romper com os pré conceitos, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, literalmente. Adiante, ao que interessa, afinal meu objetivo aqui não é julgar, nem  muito menos rimar,  mas é demonstrar e te fazer pelo menos pensar que há mais para ver do que você possa crer. Há mais 'preguiça', o bicho preguiça, na mata do que na cidade. Perdoe o clichê, há muitos "Brasis" dentro do Brasil. Sim, pois ir ao Pará significa talvez conhecer o verdadeiro Brasil. A cultura brasileira de fato. Uma culinária exótica, exuberante e peculiar que conquistou o mundo com o título internacional de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela Unesco, em dezembro de 2015. E, quer saber, me conquistou também com um cheiro verde único. Do Açaí do seu Caldeira, ao tacacá vendido na glamourosa Estação das Docas, ou os peixes, as ervas e todo o cheiro do Ver - O - Peso, o maior mercado a céu aberto da América Latina, aonde a vida acontece, ou nas barracas como da Edilene na noite de Salinas, difícil não lembrar.

Impossível esquecer do som dos sapos de Breves. Uma cidade de 104 mil habitantes que já não tem mais tantas madeireiras, mas é o cheiro da madeira que predomina. O capim se espalha rápido pelas estradas. O barulho das motos, de Belém à Ilha de Marajó, sem placa e com motoristas sem capacete. Os refrescantes Igarapés. A luz vermelha em Belém indica que tem açaí. O sol quente aparece cedo, mas basta um banho de água fria ou a chuva que forma um grande chuveiro no céu para amenizar o calor. Os rostos se parecem, até que cada um, do seu jeito especial toque seu coração. A música quase não para. Tudo é motivo para comemorar, seja no bar ou em frente às calçadas com os vizinhos e amigos, bora lá beber uma Cerpa ou uma Tijuca chefe, é frase que se ouve comumente.  No geral, apesar dos problemas e das dificuldades diárias, pessoas falam calmamente, sem pressa. Muitas cheias de problemas. Muitas dependendo de horas de viagens de um barco para resolver atividades rotineiras que em outras cidades pelo país resolveriam rapidinho. Falta infraestrutura,  falta compromisso das autoridades, mas sobra esperança e melhor ainda, sobram sorrisos. Falta de hospitalidade?  "Négativu", como dizem por aqueles cantos, quase todo mundo faz de tudo para receber bem, para tratar bem e para ser inesquecível. Égua, Ninguém se incomoda de passar um cafezinho, rapidinho, seja do "meninozinho", aos mais velhinhos.

Dentre as cidades que passei, Belém, Breves -a capital da Ilha do Marajó, Capitão Poço, Ourém, Bragança e Salinas, como esquecer das que eram para ser tão longas 12 horas rumo a Breves de barco, mas a experiência foi rápida, graças a boa conversa do comandante aposentado Flávio Gonçalves de Aquino, 74 anos, conhecedor de cada detalhe de um barco, homem cheio de histórias para contar.  São 60 décadas vividas em viagens entre a ilha de Marajó e Belém. Uma simpatia de pessoa, que mesmo podendo descansar há 15 anos, segue pelas estradas da vida, ou melhor, pelos rios do segundo maior estado do país.

Turismo? Sem cinismo. Quem precisa de destinos prontos com tudo isso e tanto para ser visto? Não é a toa que no Aeroporto Internacional Val de Cans, em Belém, pasmem,  um cartaz na área de desembarque anunciava: “Pará, terra de gente boa”. E, 'ulha', 'égua, tu é doido', põe boa nisso. Que país é esse que desconhecemos, que crescemos achando que sabemos, infelicidade a nossa, mediocridade também. Mas ainda bem que pelas estradas e rios da vida, entre partidas e chegadas percebemos sua grandeza, tanta riqueza em meio a tantos contrastes, que nos assustam, mas também inspiram! E novamente, de repente, a criação de Deus aparece dando tapas na nossa cara.  Agradeço a Deus por ter conhecido cada lugar, cada pessoa, de parentes a amigos e, especialmente, louvo a Deus pela vida do meu amado Eric Jardim, motivo pela qual pude desfrutar dessa experiência maravilhosa. Mais uma vez, Deus realizou mais do que imaginei. E a vida segue, mais no balanço da rede do que no vai e vem dos carros. Até a próxima. Até "Breves".


 





4 comentários:

  1. Você foi sabia e muito feliz nas palavras, gratidão por mostrar ao mundo os valores de um rico Pará, volte sempre..

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  2. Parabéns lindo texto!!!
    Nosso Pará e assim.. terra acolhedora e pessoas de bem.

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  3. Parabéns lindo texto!!!
    Nosso Pará e assim.. terra acolhedora e pessoas de bem.

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